Imigração - Parte 1: A Semente

A primeira parte de uma jornada de imigração: da semente plantada em 2016 até a chegada na Ilha de Man em 2023

Bom, honestamente eu não sei como começar a escrever este post, mas se prepare para uma leitura longuíssima.

É uma mistura de necessidade de descarregar o peito e descarrilhar com a distopia de conseguir, aos poucos, encontrar meu caminho em meio a essa entropia.

Este é o primeiro de três posts. Três partes de um sonho que está sendo construído com muita dor, sofrimento, solidão, raiva, loucura e uma pitada boa de amor. Mas construído.

Meu primeiro contato com a Ilha de Man começou em 2016. Recebi uma mensagem de um headhunter da ilha procurando desenvolvedores para uma empresa chamada PokerStars. Na época, e-gaming não era grande coisa no Brasil, sequer se alguém sabia o que era isso. Se quisesse jogar ou apostar, teria que ser em dólares, em sites americanos ou de outros países.

Dito isso, fiquei interessado. Na época, ainda recém-contratado pela IBM, vi o mundo se abrir diante dos meus olhos. (Esse assunto da IBM fica para outro momento, no qual vou narrar meu caminho até lá.)

Primeiros dias na IBM

Foram vários rounds de entrevista, dois testes em Python. No segundo, infelizmente, não passei. Mas talvez não fosse a hora.

Isso me deu tempo para focar em algumas coisas da vida: encerrar ciclos, iniciar novos, conquistar sonhos, chorar por desnecessidades e saudades, brigar por quem estava comigo e lutar contra aquilo que me fazia mal.

Nesse meio tempo, a pandemia chegou. Os trabalhos de TI explodiram. Nunca me senti tão assediado como desenvolvedor. “Os anos dourados”, eu poderia dizer. Muita gente boa de trabalho apareceu. Assim como os gafanhotos apareceram, tal como pragas do Egito, que de novo fica para outro post.

Surfei nessa onda. Viajei. Conheci lugares. Cuidei de mim. Me apaixonei. Adotei gatos. Montei a casa dos sonhos. Peguei COVID. Aprendi a amar pedalar. Fiquei noivo. Me livrei das dívidas. Nem tudo na mesma ordem.

E recebi uma proposta de emprego para trabalhar na Ilha de Man.

A semente de 2016 finalmente germinando.

Quando essa proposta chegou, eu estava pela segunda vez passando pela IBM, agora como arquiteto de sistemas. Decidi aceitar. Por que não? Tinha as contas em dia, uma vida razoavelmente confortável. Hora de me aventurar.

O processo de visto se iniciou. Foi uma aventura entre provas e documentos, traduções desnecessárias, erros bobos e muita ansiedade. Tudo estava bem legal, trabalhando remoto com time conhecido, galera já tinha um tempo morando por lá. Até a empresa em que eu estava trabalhando começar a atrasar os pagamentos.

Aceleramos algumas coisas. Pegamos dinheiro emprestado (porque às vezes loucura pouca é bobagem) e metemos o pé.

Mimi, nao acreditando que vamos mesmo fazer isso

Isso foi um timeskip gigantesco de todo o drama familiar e do quanto sou apegado à minha família, especialmente ao meu pai, que já se encontrava doente. Terapia, minha gente, terapia.

Chegamos à Ilha de Man.

Uma loucura, a experiência de pegar o primeiro avião na vida. Falar com o primeiro gringo. Ver as nuvens de perto pela primeira vez. Ainda hoje gosto de ficar na janela olhando por horas a fio como criança que simplesmente faz por fazer.

E lá estávamos nós: cansados, abatidos, desmotivados e desempregados.

19 de setembro de 2023. Dois dias antes do aniversário da Giovanna. Frio. Roupas inadequadas. Nenhuma mobília. Colchão emprestado e algumas blusas como cobertor.

Nossos primeiros dias na Ilha de Man

Esse foi nosso início.

Nos primeiros dias, descobrimos que a empresa não existia mais. A chance de receber o reembolso dos salários e do translado tinha, de fato, virado pó em nossas mãos.

Mas ué, cá estamos. Do outro lado do mundo, com a oportunidade que muita gente daria tudo para ter. Às vezes o sonho cobra o preço antes de se mostrar. E a gente paga. E continua. Então temos que tirar um pouco de leite e mel desse limão.

Mas isso fica para a parte 2.

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